Retrato de David Aragão

Cientista Sénior de Linha de Luz, Diamond Light Source

David Aragão

Cristalógrafo de proteínas e cientista de instrumentação, sempre à procura dos melhores dados possíveis. Adoro programar e Linux, e gosto de ajudar as pessoas a crescer.

Sou Cientista Sénior de Linha de Luz no Diamond Light Source, o sincrotrão do Reino Unido, pai feliz e tio de vários sobrinhos. Passei a maior parte da minha vida profissional entre raios X e cristais de proteínas. Desde 2011 trabalho em ciência de linhas de luz, e não como investigador a tempo inteiro: cuido de toda a cadeia que transforma um cristal em bons dados, desde o equipamento e a electrónica ao código e aos sistemas Linux que os controlam, e das pessoas que os usam, dos cientistas que nos visitam aos colegas que formo. Adoro um bom problema, e ainda mais quando quem ganha é a ciência de outra pessoa.

Cápside do vírus da doença do bico e das penas
Estrutura do diaCápside do vírus da doença do bico e das penas · 5J36Imagens minhas, feitas com o UCSF ChimeraX.
30+anos em ambientes de alta tecnologia
10 000+horas a recolher dados em sincrotrões
60+estruturas no Protein Data Bank
5países onde vivi e trabalhei
2900+citações dos meus artigos (OpenAlex)

O que faço

Ciência de linhas de luz

Trabalho na I04, uma linha de luz de cristalografia macromolecular no Diamond. Na maior parte dos dias, isso quer dizer ajudar os cientistas que nos visitam a transformar uma placa de cristais minúsculos nos melhores dados que conseguirem, e deixar a linha de luz um pouco melhor para o grupo seguinte.

Biologia estrutural

Desde 1998, recolhi dados em mais de cinco sincrotrões e ajudei a depositar mais de 60 estruturas no Protein Data Bank: metaloproteínas, proteínas membranares, proteínas virais e uma ou outra surpresa. No fundo, sou bioquímico: quero saber o que faz uma proteína e de que forma a sua estrutura o explica.

Instrumentos e dados

Gosto de perceber o instrumento por inteiro, dos motores, detectores e electrónica ao software que os controla. Escrevo código de aquisição de dados que mantém o equipamento seguro (robôs que não colidem, nada de feixe directo no detector) e que faz dos bons dados a regra: uma linha de luz verificada da mesma maneira todos os dias, e uma dose de raios X ajustada a cada cristal.

Linux e código

O Linux faz parte da minha vida desde os anos 90, quando troquei uma rede Windows por ele para aprender a camada de baixo: como funcionam realmente os sistemas operativos, as redes e a internet. Na Austrália, rendi-me às máquinas virtuais e aos containers Docker, e continuo a adorar escrever código, sobretudo em Python. Tudo isto assenta no código aberto: as boas ferramentas são melhores quando partilhadas.

Pessoas

Alguns dos momentos de que mais me orgulho são de outras pessoas: um estudante de doutoramento que termina a tese, ou um colega que formei e que passa para um cargo mais sénior, mesmo que acabe por brilhar mais do que eu. Sou co-orientador de estudantes de doutoramento, dou aulas em cursos do CCP4 e do Diamond e, no trabalho, dou primeiros socorros de saúde mental.

Comunidade

Fui presidente da Society of Crystallographers in Australia and New Zealand, e sou Fellow da British Crystallographic Association e da Royal Society of Biology. Mais perto de casa, sou vereador eleito na vila de Didcot. Não sou muito bom a dizer que não.

Estruturas em destaque

Todas as estruturas →

Na comunicação social

Todas as entrevistas →

Pesquisar no site